Chamo, ninguém ouve; Passo, ninguém vê; Peço, todos ignoram; Não vou roubar, fique tranquilo. Só peço de coração. Tem hora que não dá mais para aguentar, a alma, o próprio corpo não aguenta. Invisíveis aos seus olhos, aos olhos dele, aos olhos de todos, aos olhos de uma sociedade inteira. Encosta sua cabeça e tente imaginar como seria viver assim, perto, mas tão longe de tudo, de todos. Vida, o que é uma vida? Eu queria muito saber, o que eu levo são dias que se passam no piloto automático, dias que quando eu acordo eu já torço para que acabe logo, dias que se arrastam. Queria poder contar os minutos para sair de algum lugar, contar os minutos até não aguentar mais. Essa melancolia que é viver. Ando sem rumo, sem direção. Não acredito em ninguém, mundo justo. Um mundo tão justo que o mais fere é a falta de respeito, pra que respeito, não é verdade? Feridas que não cicatrizam, feridas abertas a um mundo preto e branco.
Um abraço de um morador de rua.
Um abraço de um morador de rua.