quinta-feira, 25 de junho de 2015

Medo, coragem, tempo...

domingo, 8 de maio de 2011

Isso está me fazendo mal, está me consumindo. Nunca pensei que teria essa crise, já faz quase 14 anos, e nunca tive nada igual. Esse ano é quando mais preciso de alguém me apoiando, e me sinto sozinha, estou cercada por milhões de pessoas, mas nada parece o suficiente. Nas vezes que brigo com a minha mãe, na hora vem na minha cabeça, como seria se eu tivesse um pai, sei que tenho que aprender a conviver com isso, mas o que mais me incomoda, não é só o fato de ele não estar presente, é que eu não sinto amor por ele, e sei que ele não sente nada por mim, para ele sou como uma pedra no sapato, na qual ele tem que ficar depositando pensão todo o mês. Às vezes, sinto que ele nem lembra de mim, é como se eu não existisse, só lembra quando dói o bolso. Eu queria ser uma mosca, só pra saber qual a resposta dele, quando perguntam quantos filhos ele tem, ele nem liga pra mim, quando nos falamos sou eu quem ligo, e nunca é pra saber se está tudo bem, é sempre pra cobrar dinheiro. Não tenho vontade de saber se ele está bem, mas eu não sou assim, no fundo, eu me importo, eu sinto falta, eu já tentei me aproximar, já tentei de verdade, mas me decepcionei, e com essa decepção, veio o medo de tentar de novo. Muitos me tratam como filha, até com simples demonstrações, mas eu só tenho um pai, e o que mais importa pra mim, não se importa comigo. Meu verdadeiro pai não sabe nem o que eu vou fazer de faculdade, ele nunca ousou a perguntar, meu pai, não sabe como estão minhas notas na escola, não sabe se eu estou namorando, e não adianta falar, é como se falasse com o vento, às vezes até o vento é melhor, o vento não fala nada, o silêncio é destruidor, mas às vezes é melhor. Sim, ele está pagando uma parte da minha viagem de formatura, mas isso não quer dizer nada, o dinheiro não vai comprar meu amor por ele, aquele que eu já quase nem sinto. Na maioria das vezes, eu sinto raiva dele, por tudo que ele fez, e por tudo o que ele não fez. É covardia. Eu não sou a melhor pessoa do mundo, mas acho que eu não merecia isso, é algo incontrolável. Eu estou bem, ou acho que quero ficar bem, mas meu corpo não consegue, então eu choro, mesmo cercada de pessoas que eu sei que me amam de verdade pelo que eu sou. Eu não tenho alguém pra chamar de meu herói, eu nunca fui a princesinha do papai, meu pai nunca me levou em uma festa de quinze anos, nunca me proibiu de ir pro shopping quando eu fazia merda, eu nunca falei que quando eu crescesse, eu queria casar com o meu pai, nem que meu namorado seria igualzinho a ele, e desejo que passe longe disso, mesmo grande, eu não sento no colo do papai pra me sentir protegida. Nunca terei nada disso, não terei nem histórias para contar ao lado do meu pai, e as que tenho, são as piores possíveis, aquelas que eu tento apagar, mas simplesmente não dá, e sempre quando eu lembro, meu único sentimento é raiva. Eu não quero que isso continue assim, sei que depende de mim, mas não consigo fazer nada, vai ser assim durante um bom tempo, eu sei, mas uma hora tem que passar, uma hora vai passar, quando eu tiver coragem de agir, pode ser tarde, eu sei, mas por enquanto não dá.