terça-feira, 16 de agosto de 2011
A porta não se fechou, o jogo não havia acabado, aos 47 minutos do segundo tempo, driblei meus medos e fiz um gol do meio de campo. O desespero tomava conta de mim, foi um alívio. Nunca, digo isso com firmeza, NUNCA pensei que faria isso. Foi como saltar de paraquedas tendo medo de altura, ir cutucar uma colmeia tendo medo de abelha, ir para o alto mar tendo medo de tubarão. Foi como ter medo de ouvir certas palavras e mesmo assim ligar, ter medo de achar, mas mesmo assim procurar. Surpreendi até a mim mesma. Confesso que foi bom, não só pelo fato de eu ficar orgulhosa até de mim mesma, mas porque foi bom, rever todos, ver que mesmo depois de tanto tempo ainda sou bem vinda. A sensação de estar naquele lugar de novo, onde eu passei parte da minha infância. Poder abraçar todos e enfim poder perguntar "tudo bem?". A sensação que foi ouvir todas as brincadeiras e poder ouvir das suas sobrinhas "foi um prazer.", aquelas menininhas que nem sabiam que você existia, ouvir seu irmão sendo chamado de tio e seu pai de vô. Ouvir que você ainda é da casa, sua vó te reapresentando e as caras de surpresa. Na hora de despedir-se, ouvir "vê se aparece.". Acho que nada, nada mesmo paga essas sensações, nada tira a alegria que isso pôde trazer. Sensação de dever cumprido.